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Em revista

Desisti das revistas semanais. Já é minha segunda tentativa frustrada.

Tempo atrás assinei a Istoé, naqueles esquemas de pagar 3 meses e receber 6, mais não-sei-quantas revistas de graça. Acabou o contrato, eles renovaram sem minha permissão e perderam o pouco crédito que tinham. Nunca mais.

Recentemente fiz a mesma coisa com a Época. Pagando metade do preço, recebo o triplo de revistas (Época, PE&GN e Galileu) por mais tempo, e lógico, o triplo de propaganda também. Até gosto das reportagens da Época, quando consigo desenterrar elas do meio de tanto jabá.

A última edição já começou mal. Paulo Coelho na capa segurando um Kindle e uma chamada “O último livro que você vai comprar”. Mentira, pois não é um livro e nem vou comprar, a não ser que eu ache 2000 reais no chão. Nem assim. Potencialidades do Kindle, e de Paulo Coelho, a parte, o que me fez jogar a revista no lixo foi a incrível, inacreditável, indescritível quantidade de propaganda.

São 52 páginas de anúncio em 138 páginas total. Uma proporção de 1.65 páginas de texto pra cada página de propaganda. Mais de 37% da revista é nada. A grande maioria deles se concentram no início e eu acho que sei porque – depois de tanta encheção, as pessoas desistem, como eu fiz, e param a leitura na metade do caminho, fazendo dos anúncios no final mais inúteis que os do começo. Eu parei em específico na página 79, onde até então 38 eram de propaganda. Absurdos 50%.

Numa época de Twitter e blogs, me impressiona como revistas estilo Época estão indo na contra-mão. Quando tudo fica mais simples, direto, sleek e prático, recebemos em casa um calhamaço incômodo e afogado nele mesmo, do qual seu conteúdo não justifica nem de longe o martírio que é folhear entre as dúzias de propagandas.

Voltei pra Newsweek e suas duas páginas de propaganda. DUAS! DUAS!!! De um total de 52 páginas, o grande número de propaganda é 2, as duas primeiras. São 25 páginas de conteúdo pra cada página de propaganda, menos de 4% da revista é jabá.

Se fosse só isso já seria o suficiente, mas ainda entra em conta as reportagens que saem com 3 semanas de antecedência e contribuidores de peso que aparecem de vez em quando como Gordon Brown e Henry Kissinger.

A única coisa que tem a mais na Época em relação aos semanários americanos são as sujeiras da política nacional. E propaganda, muita propaganda.



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